Após uma invasão alienígena que durou dois anos, a paz e a ordem voltou a se estabelecer na Terra. Tudo estava ótimo até 2028 quando a televisão anunciou que Nova Iorque estava encoberta por uma nave gigante, a temível nave mãe. Diferente da outra vez, agora os lagartos gigantes estavam com uma tecnologia muito superior a que nós tínhamos e, em três meses os Estados Unidos tinha deixado de existir. As informações que contavam é que a população norte americana estava usando um equipamento na espinha que os deixavam escravizados. Os lagartos estavam construindo um exército e acabando com os terrestres. Mas nós iriamos lutar até o fim.
Conselho da Agave.
Estava um calor escaldante naquela sala que a alguns anos atrás deve ter servido de recepção para algum hotel de primeira classe. Jamais alguém imaginaria que aquilo se tornaria um ambiente tão sombrio. Todo mundo queria saber o que iriam fazer com aquele garoto estranho que apareceu na resistência.
— Ele é uma ameaça — Comentava Carlos, um rapaz que entrou no grupo a alguns anos, mas era muito irritado e vivia batendo boca com alguém.
— Ordem! — Gritou Laura, subindo quase que os oito degraus da escadaria. Todo mundo ficou em silêncio.
— Na ausência do meu marido, sou eu quem vai escutar a opinião do grupo. Eu queria pedir que vocês respeitem a listagem na hora de dar sua opinião. Se a gente não tiver ordem pra comandar nossa resistência, nós vamos fracassar. Não é isso que a gente espera. Se alguém falar não estando na sua vez, perde o direito de votar. Vocês sabem como funciona. Alguém tem alguma dúvida?
— Na ausência do meu marido, sou eu quem vai escutar a opinião do grupo. Eu queria pedir que vocês respeitem a listagem na hora de dar sua opinião. Se a gente não tiver ordem pra comandar nossa resistência, nós vamos fracassar. Não é isso que a gente espera. Se alguém falar não estando na sua vez, perde o direito de votar. Vocês sabem como funciona. Alguém tem alguma dúvida?
— Então vai ser você quem vai decidir a melhor opção não é? O que for melhor para o grupo.
— Isso mesmo Milena. — Respondeu — Quem tiver a melhor ideia, vai ser o que vamos fazer. Mas, não se esqueçam que somos seres humanos.
— Vamos começar isso de uma vez? — Sugeriu Carlos que já estava aborrecido.
A ideia de eu ter criado o Conselho da Agave foi pra que pudéssemos escutar todos os membros, até mesmo as crianças tinham voz.
—Ana Luiza, qual é sua opinião?
Ela se levantou e foi até a escadaria enquanto Laura descia os degraus. Pensou por um instante, mas logo disse o que pensava:
— Eu fiquei bem assustada de termos um garoto meio estranho no meio da gente. Ontem na hora que a gente estava reunido na garagem e de repente eu vi ele, eu pensei que tínhamos sido pegos, ou coisa pior. Mas, e se ele fosse o meu irmão. Eu acho que fica injusto eu julgar que um menino de dez anos pode me fazer mal só porque eu não conheço ele, quando eu sei que se fosse meu parente ou parente de algum de vocês, nós pensaríamos completamente diferentes. Eu acho que ele deve fazer o que ele quiser!
Eu acho muito bonito que a gente tem uma garota com apenas quinze anos, mas que diante de problemas tão graves, de viver em um mundo tão louco, ela tenha se tornado uma pessoa responsável e madura. Não é um mundo que a gente espera pros nossos filhos, mas eles crescem, eles vão a luta, e não esquecem de continuar sendo pessoas.
— Carlos, qual é a sua opinião?
— F-i-n-a-l-m-e-n-t-e. — Ele subiu rapidamente as escadas, curvou a cabeça para a esquerda, olhou para Tiago, o garoto que parecia ter vindo de outro planeta e sorriu. — Eu não acho nada desse monstrinho. Eu tenho certeza de que ele é uma ameaça pra mim, pra Doutora Thaís, pro Marcos que já está fodido por culpa desses seres tão inocentes, é uma ameaça pra senhora dona Laura que pode ficar viúva a qualquer instante já que seu marido é metido a super herói. Como alternativa e felicidade para todo o nosso pequeno e grande grupo, eu sugiro que a gente acabe com a vida disso.
Toda vez que Carlos falava na Agave, sua palavras repercutiam pois eram pesadas. Milena que é a mais religiosa do grupo, sempre pede em suas rezas e orações, que Carlos seja perdoado por sua palavras tão duras. Não é compreensível que uma pessoa se torne tão desumana, é claro que o tempo muda as pessoas, mas alterar o caráter de uma forma tão brusca. Isso eu não entendo. O meu medo é que uma fruta ruim, pudesse estragar o resto do pomar.
— Marcos Vinícius, qual é a sua opinião?
— Eu entendo perfeitamente o que todo mundo aqui dentro pensa. De um lado a gente tem uma criança que é uma pessoa, isso faz dele alguém do nosso time, da sobrevivência, da nossa luta por continuar sendo gente. Do outro lado a gente tem a outra face do Tiago que é um alienígena, e nesse momento essa parte que está com ele é nosso inimigo. Como a nossa jovem Ana Luiza disse, se fosse algum de nossos parentes a gente iria pensar diferente e sim, daríamos pelo menos a chance da dúvida. Sendo assim, eu me voluntario pra ficar de vigia do Tiago.
— Milena, qual é a sua opinião?
Ela se levantou e sorriu — Eu simplesmente concordo com o Marcos.
— Natália, qual é a sua opinião?
— Eu não concordo com o Marcos. Eu acho que...
— O grupo de caça chegou e eles trouxeram o Arthur! — Gritou Pedro invadindo o conselho.
— Gente, o conselho está suspenso. Cuida do menino pra mim Marcos, sua ideia é a melhor. Thaís...
— Enfermaria — respondeu ela, correndo para fora.
Marcos sorriu e estendeu a mão para Tiago, que foi com ele até um quarto e se trancou lá dentro com ele.
— Eu não quero fazer mal pra ninguém. — Comentou Tiago.
— Eu acredito em você. Mas você é bem estranho.
— Estranho?
— Na verdade exótico. O seu olho de humano é puxado, você fica parecendo um mestiço de asiático com brasileiro.
— O que quer dizer mestiço?
Marcos encostou seu corpo na porta que estava trancada e escorregou sobre ela até estar sentado no chão. Pensou um pouco em como explicar para uma criança, que ele nem tinha certeza se era uma de verdade, o que significava a palavra mestiço.
— E asiático e brasileiro também. O que é?
— Mestiço. Mestiço seria o mesmo que um lagarto gigante e uma pessoa da Terra terem um filho. Essa criança seria um mestiço, porque ela seria filha de um casal de raças diferentes.
— E o asiático? O que é?
— Eram umas pessoas de uma outra parte da Terra.
— Parece bem legal o outro lado da Terra. Eu acho que meu pai já foi lá.
— Seu pai?
Nesse momento, passos pesados vieram em direção ao quarto e Marcos abriu a porta. Era Antonio, que entrou e encarou o garoto com um olhar de tristeza.
— Posso ficar sozinho com ele um momento?
Marcos saiu, mas ficou ali no corredor.
— Você é uma criança não é?
Ele ficou sério e sorriu.
— Eu sou o Tiago.
— Eu acho que você sabe que muitos lá fora não querem seu bem e te consideram uma ameaça. Eu tenho uma proposta e se você pudesse me ajudar com ela. Isso iria te deixar bem com aqueles que não gostam de você.
Ele se levantou da cama, curvou a cabeça para a direita e para a esquerda, fechou os olhos por três segundos e abriu.
— Eu posso te ajudar a curar ele. O Arthur pode ficar bem, você só precisa deixar ele aqui no quarto comigo Antônio. Vocês não sabem como fazer ele voltar a ficar humano. Eu posso salvar ele. Antônio, qual é a sua opinião?
Aquilo foi tão estranho. Era como se um garoto de apenas dez anos tivesse acabado de ler a minha mente. Na verdade eu estava assustado, ele tinha copiado a frase que usávamos no Conselho da Agave. E agora? Eu deveria deixar meu filho nas mãos da doutora Thaís onde eu não tinha garantia alguma de que o Arthur voltasse, ou eu entregava meu filho para um metade alienígena que garantia trazer meu filho pra mim? Difícil escolha para um pai.
Continua...
