— Quando eu cheguei lá na casa da prefeita o portão estava aberto. Então achei melhor bater palma porque se a Valéria estivesse conversando com o Gabriel e o Lucas, seria quase impossível de escutar eu chamando.
— A Valéria é a que organizou a minha busca? — perguntou Isadora.
— Sim. É ela mesma! É louca, mas é uma ótima amiga. Continuando... Então eu entrei, a varanda da casa era muito linda, tem umas luzes muito bonitas penduradas, e três sofás, eu achei muito lindo. A televisão da sala estava ligada, mas não tinha ninguém. Mas quando eu pensei em voltar pra casa o Gabriel apareceu. Ele estava no banheiro, por isso ele não tinha escutado. Na hora me deu muita vergonha porque ele disse que a mãe dele tinha viajado pra Brasília, pra resolver uns problemas.
— Pula pra parte legal Letícia! Se eu for escutar toda a história vou acabar dormindo.
Letícia olhou pra Isabela, que já estava dormindo. Apenas para conferir.
— Ele tinha muito dever de casa, então como a Valéria e o Lucas não chegavam, ele resolveu fazer a atividade, mas como ele não sabia muita coisa, eu o ajudei. Bem na hora que eu me virei pra ele pra perguntar se ele tinha entendido, ele estava com o rosto quase colado no meu. Ele disse que eu era linda e foi se aproximando com a boca, e me beijou, eu fiquei tremendo naquela hora, porque foi meu primeiro beijo.
— Primeiro? — perguntou surpresa e aumentando a voz.
— Para quieta! A Isabela está dormindo.
— Continua... — Isadora estava se segurando para não dar risada.
— Eu pedi pra ele parar e ele parou. Mas foi por uns quinze segundos porque ficamos bem perto um do outro, ai eu acabei tomando atitude e beijei ele. Só que enquanto nos beijamos meu coração acelerava.
— Você se apaixonou por ele? — Isadora continuava com a expressão de quem estava segurando gargalhadas capaz de acordar Paraíso inteira. Seria esse o primeiro terremoto na região?
— Nós vamos nos ver outra vez. Mas secretamente e escondido da Valéria e do Lucas.
— Secretamente? —Agora sua expressão era de quem não estava entendendo nada.— Tem alguma coisa errada Letícia, como é que ele quer ficar com você e esconder isso dos próprios amigos?
Rose estava conferindo a agenda da prefeita Marialda para sexta-feira.
—... E às onze da manhã, o seu Manuel. Ele quer conversar sobre uma forma de colocar o café dele na prefeitura.
— Pode confirmar com ele? Aquele dia na Argentina eu e o Gabriel tomamos lá na Argentina e acredita que é um café milagroso? Tem um sabor sem igual, e ainda servem chás que é uma beleza.
— Posso sim. É, eu tenho uma amiga ali na Argentina e sempre que vou passear lá, a gente vai lá tomar um "té". Chique né?
— Você é ótima no espanhol minha amiga.
— Eu tento, imagine quando vier uma celebridade aqui pra Paraíso, quero estar preparada para recepcionar.
— É só por isso mesmo? Porque eu lembro quando o Gabriel veio me contar que a senhorita estava namorando um rapaz da Argentina. Não pensa em levar o relacionamento a sério?
Rose sorriu timidamente.
— Ele era incrível. Mas, queria que eu parasse de trabalhar. Eu não nasci pra ser sustentada por marido. Meus planos pro futuro é continuar aqui com a senhora.
Eram três da manhã e Isadora e Letícia ainda estavam conversando sobre garotos.
— ...E o pai da Isabela dizia que eu era única. Que ele iria sair de casa e eu iria morar com ele. Eu era muito animada de um dia nos casarmos e nos tornamos um casal perfeito, igual a mãe e o pai.
— E você deixou seu sonho pra lá? — perguntou Letícia debruçada sobre uma montanha de travesseiros a luz de lanternas.
— Eu tive que deixar, a vida muda o tempo todo. E eu acho que se tivesse dado certo teria sido pior. Os adolescentes vivem fingindo sentimentos.
— Você fala sobre o pai da Isa e não diz o nome. Por quê?
— Eu acho que ele mora em São Miguel do Oeste.
— O que? Aqui perto? — Letícia estava espantada com a revelação.
— Ele dizia que o nome dele era Augusto, mas acho que é mentira. Como eu te disse... Os meninos mentem sobre tudo pra conseguir o que querem.
Continua...
