Você & eu & a internet

 Não é fácil ser um adolescente gay no interior. Por mais que eu tenha uma mãe lésbica, conversar com ela sobre este assunto é assustador. O preconceito sobre homossexuais é tão grande que dá uma sensação de que sou menor ao me assumir, de que estou tirando o meu direito de existir para começar a viver com medo...


 Tudo bem, Wenceslau Braz tem vários conhecidos que fazem parte da comunidade LGBTQIA+, mas eu tenho uma insegurança, um medo de ter que cortar todos os laços que eu tenho. Será que eu serei aceito? Como se não bastasse este problema, como eu resolvo a questão de ter 17 anos e ainda ser virgem?


 Meus colegas passam o tempo todo se gabando por estarem transando e eu tenho que eu preciso mentir, inventar histórias que acabei encontrando no Xvideos. Sinto que vou acabar surtando, guardar esse segredo me corrói e faz com que toda a minha história seja uma mentira, eu só queria conhecer um cara legal que fizesse o meu coração acelerar...


 Como a melhor arma disponível é a Internet, é nela que acabo vivendo o pouco de liberdade que eu tenho. Não rola eu marcar algo por bate-papo, eu só não quero conhecer ninguém da minha cidade, e com toda a certeza, lá eu acabaria encontrando alguém. Eu preciso evitar, eu preciso ter a ideia genial de conseguir conhecer alguém legal com quem eu possa ser eu mesmo.


 A vontade de querer conhecer alguém durou apenas mais dois dias até que eu tive a brilhante ideia de encontrar essa pessoa no Twitter, pesquisando a cidade que eu gostaria de encontrar alguém e ver as pessoas que estariam falando sobre ela. Foi arrastando o mouse para baixo que acabei encontrando um outro menino, seu nome é Maurício, com tweets quase que diários reclamando de morar em Arapoti.


 Arapoti é cidade vizinha de Wenceslau Braz, e apesar de conhecer, eu nunca tinha sequer imaginado a existência de algum Maurício. E foi questão de segundos seguindo ele, que o followback apareceu. Aquele menino me seguiu de volta com uma rapidez extraordinária que eu acabei ficando feliz.