Eu não podia acreditar no que estava acontecendo, me tornei um novo homem. Toda aquela ideia do que era sexo e os medos que eu tinha eram tudo coisas da minha cabeça. Ainda que eu tenha feito a besteira de ter transado sem camisinha, agora eu sabia que tinha sido válida a espera pela pessoa certa. O Maurício era um cara extraordinário e eu não podia ter tido uma pessoa melhor para perder a virgindade.
Precisava contar para alguém que havia transado então achei que era uma boa trocar o personagem. De repente o Maurício se tornou Maria, e assim as pessoas que estudavam comigo se empolgaram com aquela menina que na verdade não existia. A verdade é que aquilo não me deixou satisfeito, me questionei o que eu tinha acabado de fazer, finalmente transei e criei uma outra mentira para impressionar pessoas que nem me conhecem.
Chegando em casa, perguntei pro Maurício se o que fizemos tinha sido bom e ele disse que deveríamos fazer de novo. A verdade é que eu queria fazer mais daquilo, eu estava louco para transar de volta e isso era tudo o que importava. Essa minha vontade fez com que eu topasse passar o final de semana em Arapoti. Mas, como é segunda-feira, eu teria que esperar...
Com toda a certeza, essa foi a semana que eu mais passei no cemitério falando com o túmulo do Cesar. Ainda que ele não responda, pensar que ele existe em algum lugar, em um outro plano ou que possa realmente estar ao meu lado é o que me traz paz. Como a minha vida era uma bagunça, acreditar que meu irmão estava comigo deixava tudo um pouco mais leve. Contar sobre eu ter perdido a virgindade foi um momento onde eu acabei chorando...
Ser duro para resolver ou lidar com as coisas é parte da minha mentira, porque na verdade eu sou romântico e queria uma família. Por qual razão eu não posso ter um namorado e adotar um bebê? O mundo é injusto, ou meu irmão não teria morrido e homofobia seria apenas uma ficção de terror. É uma agonia se sentir sozinho e ver que mesmo rodeado de gente, elas não são suas amigas...
O sol estava se ponto quando cheguei em Arapoti e o Maurício estava lá na rodoviária com um sorriso de orelha a orelha me esperando. Ver ele me dava uma energia tão grande, e sabíamos exatamente onde iriamos gastar cada caloria. Eu queria viver algo novo, e assim a gente fez, nos beijamos na chuva; no campo; dentro de uma escola; no banheiro do bar; atrás da igreja; em frente ao boneco do Huck...
O tempo passou rápido, foi um final de semana inteiro transando em qualquer oportunidade que tínhamos. Corremos como se o resto do universo não importasse, de repente eu não senti medo algum, não pensei no futuro, não pensei na minha família, não pensei nos meus colegas em Wenceslau Braz, eu só estava sorrindo ao lado do Maurício. Eu estava apaixonado!