Rosas, versos e vinhos




 Estava terminando o ensino médio quando conheci alguém pela Internet. Era o fim de um ciclo e em breve tudo iria mudar. Acho engraçado quando o início de um novo ciclo começa com a chegada de alguém. Poderia falar sobre várias fases da minha vida onde elas começaram ou terminaram junto com alguém. Mas hoje vamos falar sobre este moço tímido que praticava capoeira.


 Não tinha a noção de onde aquilo iria me levar e algumas semanas depois eu estava atravessando a cidade para treinar capoeira, meu empenho era grande e por incontáveis vezes aquilo parecia ser o que era importante para mim. Se por um lado existia o desespero de ter que sair da escola, fazer parte de um novo grupo novo reconfortava, porque depois de tantos anos tendo a obrigação de se reunir em uma sala com quarenta pessoas, semanalmente ver o grupo de capoeira também era importante.


 Mentir não é comigo, então eu preciso deixar claro que o principal motivo dos treinos sempre foi aquele meu amigo, aquela pessoa especial. Sabe quando você conhece aquela pessoa que te faz esquecer de todos os problemas? Eu não tinha a noção do que estava acontecendo, mas eu queria continuar vivendo aquilo. Onde iríamos chegar também não era previsível, mas todo caminho tem o seu final.


 A gente sempre espera que coisas boas possam acontecer. Engana-se quem pensar que ficássemos juntos durante os treinos, por vezes nem mesmo conversávamos. Alguém um dia disse que se não dermos valor em alguém, acabamos perdendo, acabamos nos afastando um pouco, mas eu não cortei relações. Penso que todas as pessoas já foram desvalorizadas em algum momento, mas mesmo não sendo recíproco, eu não posso ser alguém que eu não sou, não podia fingir que não ligava.


 Enquanto eu treinava, por conta da distância eu sempre pegava um ônibus. Durante o trajeto eu era viciado em uma música do Gusttavo Lima. Em Curitiba eu aprendi a fechar os olhos no ônibus e aproveitar o momento, mas enquanto aquela música viciante tocava, meus pensamentos eram únicos, fazia todo o sentido a letra com o sentimento que eu tinha, de que faria o que fosse, no tempo que fosse, que eu só queria aquele amor.


 Demorei para aprender que "por você" eu não posso fazer nada do que eu faria. Até posso, em algum lugar, ter aquele amor guardado, mas houve um erro quando eu deixei de pensar em mim para querer fazer o outro bem. Chega um momento em que a gente não quer dar rosas, versos e vinhos, a gente quer ganhar isso. Um pouco de amor próprio vai me fazer bem...