Solidariedade: nosso dever como sociedade



 Volta e meia eu me pego pensando em como a gente é coração mole, que mesmo com alguma dificuldade, ainda nos dedicamos a ajudar alguém. De onde vem toda essa solidariedade? Por qual motivo eu deixo de se importar com o meu bolso para me importar com o bem-estar de outra pessoa? A verdade é que quando a gente já apanhou muito da vida, sabemos que o nosso mínimo pode acabar sendo tudo para o outro.

 Em 2012, acabei sendo assaltado em outra cidade, e um desespero tomou conta de mim, porque eu fiquei perdido, sem ter a quem socorrer. Liguei para a polícia e pediram que eu ficasse no mesmo lugar, e foi esperando que acabei sendo assaltado mais duas vezes. Que tipo de pessoa, ficaria no mesmo lugar depois de ser assaltada, não apenas uma, mas três vezes?

 Não tinha nada para comer, não tinha para onde eu ir, e assim eu passei uma madrugada inteira no terminal de ônibus. Sentindo os olhares de desprezo por quem passava por ali, não tive forças para pedir coisa alguma. Eu queria tanta coisa, mas naquele momento, um pão, um salgado, qualquer coisa faria a diferença. No outro dia, uma menina que vendia chip celular da Vivo deixou o seu trabalho na rua para procurar alguém que pudesse me ajudar.

 Precisei dormir no abrigo antes de conseguir voltar para a casa, mas toda aquela experiência me fez refletir sobre como a gente trata o próximo e em como olhamos para quem precisa de ajuda. Estou certo que aqueles dias foram um divisor, me transformando em uma pessoa melhor e que sabe que podemos não estar bem, mas que sempre existe alguém que pode estar pior.

 De fato, não sei o quanto minha boa ação do presente pode afetar minhas contas no final do mês, mas se eu soubesse, em momento algum eu faria diferente. Parte de quem eu sou, é entender que eu preciso ser para o próximo alguém que eu não tenho, preciso acreditar que minha boa ação possa ser contagiante e que ela faz a diferença, da mesma maneira que aquela vendedora da Vivo fez na minha em 2012.