A exclusão e preconceito nas escolas cívico militares

 Algo que tem me incomodado nos últimos dias é a falta de direitos de um adolescente dentro de um ambiente escolar cívico militar. Recentemente, minha irmã foi impedida de estudar por ter um piercing, e fica o questionamento: em que um adolescente com piercing afeta o convívio com outros alunos? Levando em conta que a escola não é um sistema prisional, não consigo ver sentido nesse tipo de comportamento por parte da direção. É excludente que você queira tirar o direito de um adolescente de se expressar, de ter sua identidade e identificação da maneira em que ele se sentir bem.

 Por vezes, um aluno tem o cabelo comprido para esconder o fato de que ele não gosta do tamanho de suas orelhas, ou talvez já tenha sido vítima do bullying pelo mesmo motivo. Quando o ambiente escolar quer te obrigar a se despir, se transformar em uma outra pessoa e pior, ficar vulnerável para que continuem apontando o dedo para seus defeitos, sinto que o sistema tem falhado. Ao mesmo tempo em que uma aluna é expulsa por não querer retirar um piercing, o aluno que já foi pego portando maconha dentro do ambiente escolar (isso não é um caso isolado), lá dentro permanece.

 Que perigo um adolescente que possuí um piercing está oferecendo? O ambiente educacional tem sido excludente. Precisamos estimular o senso crítico e o posicionamento do adolescente para que lá na frente ele tenha a coragem e orgulho de ser quem ele realmente é. Onde iremos parar? Se um adolescente não puder ir para a escola por conta de um corte de cabelo diferenciado e original, que tipo de pessoa ele vai ser no futuro? Essas políticas precisam ser revistas com urgência para que não ocorra uma evasão escolar.

 Gostaria muito de saber se a secretaria da Educação vê como aceitável a expulsão de um aluno da escola pelo simples fato dele ter um piercing na orelha. O Estatuto da criança e do adolescente deixou de ter valor em que momento? Com quem a gente reclama? Para quem a gente apresenta uma denúncia? Com clareza, afirmo que esse post é em decorrência de fatos ocorridos em uma cidade do interior do Paraná. Leia mais aqui