Recentemente, começou a circular nas redes sociais o vídeo de uma senhora culpando a sexualidade do governador do estado do Rio Grande do Sul pela tragédia no estado. Por mais que seja apenas uma senhora ignorante, propagar esse tipo de comportamento é algo terrível, naturalizar um comportamento homofóbico abre espaço para que uma outra pessoa se sinta do direito de fazer o mesmo, ou algo pior.
A comunidade LGBTQIA+ só quer ter o seu direito de existir e viver sua vida, mas quando uma pessoa assim, aparentemente inofensiva, mas com uma língua que mais parece um chicote aparece, não tem como a gente não desejar que a vida cobre ela da pior maneira possível. Nem toda violência é física, existem palavras que machucam, que destroem, que procuram tirar o direito do outro de apenas querer viver a sua vida.
Ao longo dos séculos, a religião vem se moldando, criando narrativas excludentes, um elitismo onde Jesus só vai te aceitar se você for igual aos outros. Vocês sabem que na época da escravidão, a igreja adicionava isso como uma consequência do pecado? Se de fato, combatessem, perderiam o apoio dos grandes fazendeiros. A verdade é que a bíblia é interpretada da maneira que convém, e assim as pessoas vão se alienando. Exemplo disso era a igreja que minha família frequenta proibir que a congregação tivesse televisão em casa, mas o próprio pastor tinha uma na sua.
Se torna revoltante ver que algumas pessoas acreditam que o fato de serem homofóbicas e propagarem a extinção de uma pessoa por conta de quem ela gosta se encaixe natural quando escorada na religião. Que liberdade é essa de tirar a liberdade do outro? Pior de tudo foi ver a igreja ter se tornando política, se aliado a um grupo que acredita que um revólver em casa para você tirar a vida de outra pessoa seja aceitável e que isso te transforme em uma pessoa de bem.
O que o casamento de um gay, de uma lésbica ou de uma pessoa transsexual vai afetar na sua pobre e pacata vida? Cresci ao lado de uma bíblia e blasfemar o nome do papai do céu é uma das piores coisas a se fazer. O pecado não é você votar em um governador que nasceu gay, e sim você destruir o único planeta que você tem para viver e depois usar o nome de Deus para expor a pessoa podre e nojenta que você é.
