I S2 pet



 Devido ao meu bronquite, junto a asma, minha infância foi o mais longe possível de animais domésticos. Não importava o quanto eu amasse brincar com algum cachorrinho, sempre que minha avó me via com algum animal, instantaneamente ela precisava de afastar dele. E como ela não iria afastar, sabendo os gastos com remédios que a bronquite trás quando atacada?

 Conforme eu fui crescendo, eu tentava da minha maneira uma aproximação, mas após alguns dias lá estava eu começando a ter crises de tosse. Eu não sei se as pessoas conhecem a dimensão da tosse de uma pessoa que tem bronquite/asma, então eu vou tentar explicar. Quando temos alguma irritação na garganta, a gente tosse para de alguma forma expelirmos aquilo e tudo voltar ao normal. Agora, para uma pessoa com asma, o ar se vai, mas ele não volta, então aquilo nos força a uma outra tosse.

 Eu nunca me conformei que não poderia me aproximar dos bichinhos, então a gente sabe que as coisas só podem se normalizar se algum milagre acontecer. Para qualquer criança, é muito difícil conviver com limitações, na escola, nem mesmo as aulas de educação física... Nada, você não pode quase nada. Então enquanto os outros estão felizes com seus bichinhos de quatro patas, eu só podia sentar no banco e assistir.

 Não sei em que momento as coisas começaram a mudar, em que ciclo da vida eu parei de sofrer tanto por conta da asma e consegui me relacionar com cachorros e gatos. Acredito que todo o carinho e amor que eu tenho pelos bichinhos hoje seja para, de alguma forma, compensar o tempo que eu não podia. Aos meus olhos, animais são como um filho, quando você resolve ter algum, precisa entender que ele é alguém que depende de você e precisa do seu amor.