A igreja NÃO inclusiva


 Quem me conhece, sabe que eu acredito em Deus, mas não frequento mais nenhuma denominação religiosa. Tudo "terminou" anos atrás e um grupo de jovens. Aconteceu uma dinâmica com um barbante, onde você entregava aquela pontinha do barbante para alguém que você gostava e queria bem. Comecei a frequentar o grupo da igreja porque meu amigo da escola frequentava e me convidava para ir, de tanto ele insistir e para que pudéssemos nos manter próximos, comecei a frequentar.

 A gente estava em círculo e eu me dava bem com todo mundo ali, conversava com todos e eu acreditava que estava fazendo amigos. Porém, naquela dinâmica, acabei me dando conta de que não é só amor que pode ser platônico, mas uma amizade também. Podemos acreditar que temos alguém em confiar, mas aquilo não ser recíproco, a gente deposita confiança e prioridade em alguém que não se importa nenhum pouco com a gente.

 Conforme o barbante caminhava, eu tentava adivinhar quem iria ganhar, e então quando meu amigo pegou o barbante, eu sabia que as chances de que eu recebesse seriam algo em torno de 50%, e então eu não ganhei o barbante. Não demorou para que todo mundo recebesse o barbante e o número de quem ainda não havia recebido era minúsculo. Quando meu amigo recebeu o barbante pela segunda vez, eu sabia que agora seria a minha vez, mas isso não aconteceu.

 Machuca bastante quando recebemos esse choque de realidade, quando nos damos conta que estamos sobrando. Para não parecer que fiquei magoado, me mantive ali, na esperança de que outra pessoa lembrasse de mim, mas aquilo não aconteceu, e eu só fui citado para ganhar o barbante de alguém que eu nunca vi na vida. Tenho a certeza de que ele me deu o barbante exatamente por perceber o que tinha acontecido.

 De que adiantaria aquele barbante de alguém que não tinha contato algum comigo? É claro que é significativo, porque de certa forma, aquele visitante teve a noção de que a não inclusão afeta o próximo, mas como ele quer bem alguém que ele nunca viu? O peso perto de não ter ganho o barbante de ninguém que eu considerava... é muito importante que, quando pensar em criar uma dinâmica, tomemos cuidado para sermos inclusivos, porque mesmo sem intenção, podemos machucar alguém.