Estou sentado na minha cama, agora é exatamente 23 e 15, na televisão eu escuto o filme Continência ao amor, muita gente me disse que o filme é muito bom, então eu finalmente estou tentando assistir. Ver a protagonista pedindo, por favor, que sejam gentis com ela, mas com que eu acabe vendo um pouco de mim, que trabalho de segunda a segunda, em busca de suprir as dívidas e necessidades da minha vida chata e desgastante.
Tem tanta coisa que eu queria escrever, falar sobre família, falar sobre trabalho e reclamar de coisas que eu vejo dos outros e não acho boas, queria falar de amor e de como eu tenho medo do amanhã. É tão chato viver em um mundo onde eu não consigo me desligar, onde eu preciso lidar com pessoas que se esquecem que, mais do que um funcionário, eu sou a porra de uma pessoa. É como a protagonista do filme pediu, que seja gentil.
Acho que o maior medo das pessoas, é gostar de alguém e essa pessoa acabar indo embora. Quando eu penso no meu docinho, não sei se eu confio em mim, que eu seja grande coisa, ou mais ainda, que eu seja suficiente. Será que as outras pessoas também pensam assim? Que aquele alguém por quem seu coração acelera pode acabar encontrando outra melhor.
Eu tenho uma grande preocupação de querer ser bom demais, de querer ser o melhor, mas parece que todas as vezes que eu me esforcei pra isso, eu não fui valorizado. Será que eu deveria abandonar esse meu lado? Porque esgota ser legal e não receber a porra de um retorno. Quem sabe eu deveria continuar arriscando coisas novas, e caso alguém não goste, eu deveria apenas não me importar.
